domingo, 4 de novembro de 2012
A hospitalidade na arquitetura
Tudo está errantemente esperando.
(...)
Curiosamente, a hospitalidade coloca o tema do espaço não no espaço, mas no indivíduo, como se ele próprio portasse a hospitalidade, o próprio espaço. Como se o sentido não estivesse no espaço ou na arquitetura, mas sim nas próprias pessoas..
Já por outro lado, é quase uma impossibilidade pensar a hospitalidade sem um lugar específico, um tópico. A interioridade, assim como a hospitalidade, é sempre construída por uma relação de abertura, a qual é feita de fora, por aquele que chega para o outro, de fora para dentro, para constituir assim o dentro, como muitas vezes parece atestar a construção da arquitetura. Sempre parece que construímos o edifício por fora constituindo o dentro, mesmo muitas vezes construindo de dentro para fora. Isso porque o nosso conceito de interioridade se dá a partir do fechamento do corpo, esse fechamento sempre é a pele, a exterioridade.
A interioridade lateja na borda do outro. Se existe uma interioridade, uma interioridade das coisas, ela só pode estar mesmo fora, fora de si, quase ali no outro, só pode ser ar, neuma. Uma ansiedade do ar que mora no lar. Todo passo é um acontecimento, cada passo um evento, uma relação que se trava com a natureza, a ideia de um espaço geográfico limitado acaba desmerecendo a vida, também estamos e somos
sempre, quando andamos no território do outro. A natureza, a vida é sempre o território do outro. O ato de exteriorização é uma permanência no território do outro, na interioridade do outro.
Trecho de A hospitalidade na arquitetura, Fernando Fuão
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